Agosto Dourado: IFF/Fiocruz reúne especialistas para fortalecer ações em prol do aleitamento

 

Em alusão ao Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização e ao incentivo ao aleitamento, o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) promoveu um encontro dedicado à Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM). O evento reuniu profissionais para compartilhar experiências e fortalecer ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento.

Com o tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: Fortaleça o que funciona”, a programação deste ano propôs uma reflexão sobre a importância da amamentação para a saúde e o desenvolvimento de recém-nascidos, principalmente prematuros. O intuito é reforçar que o apoio às pessoas que amamentam deve ser uma responsabilidade compartilhada entre pais, parceiros, familiares, profissionais de saúde, instituições e sociedade, que possuem papel fundamental na construção de uma rede que favoreça a amamentação.

A abertura do evento contou com a participação da gestora do Ambulatório de Pré-Natal e coordenadora do Comitê de Aleitamento Humano do IFF/Fiocruz, Rozania Bicego Xavier. Em sua fala, ela destacou a importância do encontro para fortalecer o compromisso institucional com a temática. “Esse encontro fortalece nosso compromisso com a amamentação, por meio dessa troca de experiências, do compartilhamento de boas práticas e do fortalecimento das experiências exitosas que nós temos aqui na instituição”, pontuou.

Na sequência, a coordenadora do Banco de Leite Humano (BLH) do IFF/Fiocruz, Danielle Aparecida, frisou o compromisso da instituição com o aleitamento. “O Instituto tem em sua estrutura o Centro de Referência Nacional da Rede Global de Bancos de Leite Humano (rBLH). Temos várias iniciativas relevantes, como a Sala de Apoio à Mulher Trabalhadora que Amamenta, que disponibiliza um espaço para a ordenha do leite humano e que também está aberto para todas às mulheres. Todas as salas de extração do BLH estão disponíveis para quem estiver na região”.

Ainda durante a mesa de abertura, a representante da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), Rosane Siqueira, realçou a importância de ampliar a divulgação das ações do Agosto Dourado para que as informações sobre a amamentação alcancem o maior número possível de pessoas. Para ela, o aleitamento deve ser compreendido como uma responsabilidade compartilhada em toda sociedade. “Quando falamos de amamentação, não é apenas uma responsabilidade da mãe, mas sim de todos nós, isso é importante para fortalecer o pensamento do que fazemos e compartilhar essas experiências exitosas no mundo inteiro, pois a SMAM é celebrada, anualmente, em mais de 120 países”, afirmou.

O encerramento da mesa ficou a cargo do diretor do IFF/Fiocruz, Antônio Meirelles, que enfatizou o trabalho desenvolvido pelos profissionais e setores envolvidos com a promoção do aleitamento na instituição. Segundo ele, essa atuação contribui para que experiências desenvolvidas no Instituto ultrapassem as fronteiras nacionais. “A dedicação e criatividade das pessoas que trabalham com o tema faz com que a gente tenha um grande Programa de Certificação Fiocruz de Bancos de Leite Humano (PCFioBLH), que já está sendo seguido pela América Latina. Nós temos muito orgulho disso. A amamentação é um vínculo de carinho e amor”.

Mesa de abertura (Foto: Bruno Guimarães)

Políticas e diretrizes fortalecem a cadeia de apoio ao aleitamento

Em seguida, a programação contou com a participação da enfermeira e membro do Comitê de Aleitamento Humano do IFF/Fiocruz, Nina Savoldi, que abordou a Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), estratégia criada em 1990 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) com o objetivo de promover, proteger e apoiar o aleitamento humano, além de incentivar práticas humanizadas no cuidado à mulher e ao recém-nascido.

O IFF/Fiocruz recebeu a certificação da IHAC pela primeira vez em 1999 e, desde então, mantém o título através do compromisso permanente com os princípios da iniciativa. “A IHAC busca integrar família e profissionais nos critérios, a fim de fortalecer os caminhos da criança, portanto, toda maternidade que vai se tornar Hospital Amigo da Criança tem que implantar esses critérios”, informou.

Rozania Bicego Xavier completou sobre a importância de manter os processos previstos pela iniciativa incorporados à rotina institucional, reforçando que o monitoramento não deve ser visto como uma exigência, mas como uma ferramenta para qualificar a assistência prestada pelo Instituto. “Não é mera burocracia, a importância desse monitoramento traz um retorno porque o IFF/Fiocruz é uma referência nacional de assistência, de ensino e de pesquisa na saúde materna e infantil”, apontou.

Rozania Xavier (Foto: Luiz Eduardo Moraes)

Cuidado humanizado para bebês prematuros

A programação avançou para os desafios relacionados à amamentação de bebês prematuros, tema apresentado pela enfermeira do IFF/Fiocruz, Marcelle Campos. A especialista evidenciou que alguns prematuros podem nascer com apenas 25 semanas de gestação e permanecer internados por períodos que variam de dois a quatro meses. “Apesar de sabermos a importância do contato pele a pele desde o nascimento, muitas vezes isso não é possível por conta da gravidade do quadro clínico”, comentou.

Em sua fala, Marcelle orientou sobre o Método Canguru, que reúne estratégias de cuidado que incluem o contato pele a pele, o apoio à lactação e a participação da família durante a internação. A proposta busca oferecer uma assistência humanizada e complementar aos recursos tecnológicos necessários ao tratamento dos bebês prematuros, fortalecendo também o vínculo entre o recém-nascido e sua família.

 

Banco de Leite Humano amplia o apoio às famílias

A enfermeira do Banco de Leite Humano (BLH) do IFF/Fiocruz, Diana Gonçalves, salientou a atuação do trabalho, que envolve desde a orientação às gestantes, mulheres e famílias até o acompanhamento durante o processo de amamentação. “Sobre a importância do contato pele a pele e do aleitamento em sala de parto, é importante capacitar a equipe profissional para valorizar esse cuidado, mas também a família, para que ela possa exigir, sempre que possível, que esse cuidado seja adotado”.

A atuação do BLH também se estende aos bebês internados que, em razão das condições clínicas, ainda não podem ser amamentados diretamente no peito. A proposta é oferecer suporte contínuo. “É fundamental conversar com essas famílias, pois, nesses casos, a manutenção da lactação é fundamental para que a mãe preserve a produção de leite até que o bebê esteja preparado para iniciar ou retomar a amamentação. E, quando essa saída ao seio for possível, ela tenha produção de leite e um estoque seguro, pasteurizado, para ofertar ao bebê”, concluiu Diana.

 

Apoio à mulher trabalhadora fortalece a continuidade da amamentação

Com o tema "Trabalhadora que amamenta: atuação da Creche do IFF/Fiocruz", Silvia Lacouth Motta ressaltou a importância de manter uma rede de apoio que acompanhe as famílias para além do período inicial após o nascimento. “A creche surgiu da luta das trabalhadoras e dos trabalhadores e, desde o início, foi pensada não apenas como um lugar para cuidar das crianças, mas como um ambiente em que os pais possam se sentir seguros em relação aos seus filhos", salientou.

Encerrando a programação do evento, Flávia Bessa apresentou o tema “Grupo MAMA: apoio online fortalecendo a rede em prol da amamentação”. Criado durante a pandemia de Covid-19, o Grupo MAMA (Mulheres Apoiando Mulheres na Amamentação), surgiu como uma alternativa para manter o suporte a gestantes, mães e famílias em um período marcado pelas restrições de acesso aos serviços de saúde.

“Naquele momento, as unidades de saúde estavam fechadas ou com circulação muito restrita. A gente percebeu que as mulheres e os bebês não poderiam circular nesses espaços e surgiu a ideia de formar um grupo virtual para atender mães, gestantes, mulheres que amamentam e famílias que tivessem dúvidas sobre amamentação e alimentação complementar”, finalizou.

Flávia Bessa (Foto: Luiz Eduardo Moraes)

Experiências exitosas em evidência

Encerrando a programação, o evento apresentou um vídeo com depoimentos de pessoas que amamentam, reunindo diferentes experiências sobre os caminhos encontrados para a manutenção da amamentação.

A iniciativa reforçou a importância de ouvir quem vivencia o processo e de compartilhar estratégias que contribuem para superar desafios e garantir a continuidade do aleitamento. Ao colocar essas experiências em evidência, o encontro retomou a mensagem central da campanha deste ano: fortalecer o que funciona e ampliar a colaboração entre famílias, profissionais, instituições e sociedade em favor da amamentação.


Equipe do evento com o diretor do Instituto, Antônio Meirelles (Foto: Bruno Guimarães)