IFF/Fiocruz realiza o II Workshop do Programa de Incentivo à Pesquisa (PIP)

 

O II Workshop do Programa de Incentivo à Pesquisa (PIP) foi realizado, em 11/4, no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). Logo na abertura, a coordenadora de Pesquisa do IFF/Fiocruz Vania de Matos Fonseca comemorou os resultados. “Foi uma vitória a ideia de apoiar os pesquisadores no que é necessário, pois no ano passado publicamos cerca de 90 artigos. Estamos muito felizes!”, comentou ela. Com a palavra, o diretor do IFF/Fiocruz, Fábio Russomano, ressaltou que o programa é uma grande iniciativa de criação de oportunidades para os pesquisadores do Instituto. “O diferencial é que é uma forma de priorizarmos os objetos de estudo que são do interesse da instituição. Ainda, a decisão de direcionar recursos da pesquisa para apoio para publicações deu bons frutos e esperamos que continue assim”, alegou ele.

Dando sequência, a gestora de projetos do IFF/Fiocruz Vanessa Mendes Xavier explicou o processo de prestação de contas do programa: construção do edital PIP II que contemplou seis projetos; apoio à divulgação científica da instituição que atendeu os pesquisadores, que não foram contemplados no edital, com financiamentos de publicação de artigos, participações em eventos, serviços de tradução de artigos científicos e transcrição de áudios; e o desenvolvimento e implantação do Sistema de Informação e Gestão de Pesquisa no IFF/Fiocruz, que tem registrado, até o momento, 253 projetos de pesquisa. “O objetivo principal do PIP é promover e estimular a pesquisa no Instituto alinhado às suas orientações estratégicas, atuando concretamente na divulgação da produção científica e no desenvolvimento tecnológico”, contou ela.

Vanessa também ressaltou sobre a criação do Núcleo de Gestão de Projetos de Pesquisa (NGPP), que teve uma função estratégica dentro da Coordenação de Pesquisa do Instituto no apoio e execução administrativa e financeira dos projetos vinculados ao PIP II. A seguir, o gestor de projetos do IFF/Fiocruz Marcus Vinicius Pereira de Souza apresentou a análise da execução orçamentária, utilização das rubricas e o cronograma financeiro dos seis projetos contemplados.

Dando continuidade, a coordenadora de Pesquisa do IFF/Fiocruz Maria Elisabeth Lopes Moreira falou sobre o projeto Exposição vertical ao Zika Virus e suas consequências no neurodesenvolvimento, que teve como finalidade avaliar a história natural da transmissão vertical do Zika Vírus da gestação até o final do terceiro ano de vida da criança. O estudo analisou 182 grávidas e 296 crianças, sendo 93 com microcefalia. “Os projetos foram desafiadores no início, pois sabíamos muito pouco sobre a doença. O resultado é consequência de um esforço coletivo que mobilizou o Instituto inteiro e resultou em capacitação multiprofissional de boas práticas clínicas e laboratoriais e as questões éticas”, declarou ela.

A epidemia vai completar quatro anos em novembro de 2019 e, desde então, o projeto de Exposição vertical ao Zika recebeu financiamentos do PIP, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Consórcio Zika Plane e Wellcome Trust. No campo do Ensino, promoveu a formação de alunos em residência médica e multiprofissional e mestrado profissional com a temática. Maria Elisabeth destacou como ganhos para o IFF/Fiocruz as teses defendidas, a abertura de uma série de parcerias internacionais, como a como a London School Hygien and Tropical Medicine e Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), aprendizado para todos os pesquisadores, a aquisição de equipamentos de ponta e o desenvolvimento de atividades para as famílias, visando garantir os direitos e benefícios, o autocuidado e o planejamento familiar.

O principal resultado foi publicado, em dezembro de 2018, no New England, uma das publicações científicas mais prestigiadas na área da medicina, onde foi identificado que 30% das crianças sem microcefalia possuem atraso de linguagem e 5% possuem alteração no fundo de olho. Já as crianças com microcefalia, 25% possuem alteração visual e 3% das crianças possuem alteração de audição. “As pesquisas precisam continuar com as outras patologias e as crianças com Zika precisam de acompanhamento, pois mesmo que tenham nascido aparentemente normais é necessário fazer exame neurológico ao longo do tempo para o diagnóstico e estimulação precoce, além do exame de fundo de olho porque algumas dessas crianças precisam de intervenção em relação à visão”, frisou a pesquisadora.

Durante o Workshop outros projetos contemplados no edital também foram apresentados, como: Os caminhos de enfrentamento das implicações sociais da Síndrome da Zika Congênita: Uma análise da experiência das famílias atendidas no IFF/Fiocruz, coordenado pela assistente social e pesquisadora do Instituto Alessandra Gomes Mendes; Implicações Psicossociais da Síndrome de Zika Congênita: a experiência de familiares no cuidado a crianças com alterações neurológicas a partir de um dispositivo grupal no IFF/Fiocruz, coordenado pela pesquisadora do Instituto Creuza da Silva Azevedo; Transmissão vertical de Zika e alterações histopatológicas em placenta, coordenado pela pesquisadora do IFF/Fiocruz Elyzabeth Avvad Portari; Identificação de mutações nos genes ligados à microcefalias em pacientes como o Zika vírus através do sequenciamento de nova geração, coordenado pela coordenadora do Laboratório de Alta Complexidade e pesquisadora do IFF/Fiocruz Letícia Guida; e Estudo longitudinal de crianças expostas ao vírus Zika intra útero, coordenado pela infectologista pediátrica e pesquisadora do IFF/Fiocruz Sheila Pone. No encerramento, Maria Elisabeth agradeceu a dedicação de toda a equipe. “Esse esforço vale a pena, pois a sociedade está reconhecendo que estamos prestando um bom serviço e fazendo uma boa pesquisa ao dar também visibilidade a causa das crianças afetadas na epidemia do Zika Vírus”, concluiu ela.