O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) realizou, nos dias 11 e 12/3, a Semana de Integração dos Programas de Residências em Saúde, com o intuito de saudar os novos residentes das áreas Médica, de Enfermagem e Multiprofissional e apresentar a instituição. Iniciando a mesa de abertura, o doutorando do IFF/Fiocruz e representante da Associação de Pós-Graduandos da Fiocruz (APG) Richarlls Martins comentou que é uma árdua tarefa estar no trabalho de treinamento em serviço. “Mais de 80% da produção de pesquisa no Brasil é produzida por nós, pós-graduandos, então temos a missão de visibilizar o nosso trabalho produzido com muito afinco em prol de um Sistema Único de Saúde (SUS) mais equitativo, igualitário, universal e includente para todos”, afirmou ele.
Com a palavra, o diretor do Centro de Estudos Olinto de Oliveira (CEOO), Antônio Meirelles, frisou que o IFF/Fiocruz é um espaço onde é construído muito conhecimento. “Como Instituto Nacional, buscamos sempre trazer inovação, educação e a pesquisa para perto da nossa população, pois esse é o sentido, provocar, melhorar, discutir e inovar para o SUS”, pontuou ele. A seguir, o coordenador de Atenção à Saúde do IFF/Fiocruz, Antonio Albernaz, avaliou o trabalho em conjunto da Atenção à Saúde com o Ensino. “É muito importante e necessária a integração das áreas, visando sempre o bem-estar de todos, pois será um período bastante intenso”, contou ele.
O coordenador de Ensino do IFF/Fiocruz, Antonio Eduardo Vieira dos Santos, disse que o SUS precisa muito dos pós-graduandos. “As residências representam as categorias profissionais do Instituto, e no decorrer das atividades vão interagir entre si, pois o trabalho multiprofissional, articulado é uma das características do IFF/Fiocruz, visto que, gera muito mais benefícios para o paciente. Nós acreditamos muito na formação do profissional residente, vocês são os protagonistas e é por isso que estão aqui”, celebrou ele. O diretor do IFF/Fiocruz, Fábio Russomano, mencionou o orgulho que os trabalhadores possuem de fazer parte do Instituto. “Trabalhar no IFF/Fiocruz é especial, estamos em uma ilha de excelência, não só de conhecimento, mas de valores que a gente cultiva em prol da nossa população. Por isso, estamos sempre abertos a acolher suas questões, não só para uma boa formação, mas para que vocês tenham todas as condições de prestar o melhor cuidado aos nossos usuários”, salientou ele.
Encerrando a mesa de abertura, a Vice-Presidente de Ensino Informação e Comunicação (VPEIC/Fiocruz), Cristiani Vieira Machado, destacou que o IFF possui mais da metade das residências da Fiocruz, o que torna a unidade singular e muito importante. “Cada relação com as crianças e famílias atendidas, seja qual for o resultado, é completamente decisiva na vida dessas pessoas. Então, existe a responsabilidade, engajamento e reconhecimento de que o trabalho de fato faz a diferença e isso é fundamental na formação dos residentes, é um trabalho muito emocionante. Que os próximos anos sejam muito enriquecedores!”, desejou ela.
Na sequência, a coordenadora de Desenvolvimento Institucional do IFF/Fiocruz, Maria Auxiliadora Mendes Gomes, apresentou os Desafios para saúde da mulher, da criança e do adolescente no Brasil: o papel do IFF. Logo no início, Maria esclareceu que o IFF/Fiocruz é um lugar de muito trabalho, compromisso e dedicação à saúde dos pacientes e suas famílias. “Tem dias que a gente trabalha com mais vigor e animação, e esse é um dos dias, porque a gente se renova com os novos colegas que chegam para os programas de residência em saúde”, avaliou ela.
Maria listou o acesso universal, equidade e integralidade como os princípios do SUS que, após a sua implantação, em 1988, contribuiu rapidamente para a melhora da saúde de mães e crianças no Brasil. Uma das fortes atuações do SUS foi com as metas do milênio relacionadas à saúde infantil (redução do número de crianças subnutridas e da mortalidade infantil entre 1990 e 2015), que foram alcançadas antes do término do período estabelecido. Porém, ressaltou que em 2016, após décadas de declínio, foi registrado aumento na taxa de mortalidade infantil. “Esse dado só aumenta a responsabilidade, porque é a nossa geração que responderá no futuro sobre essa interrupção em uma série histórica de redução”, lamentou ela.
Outro fator preocupante citado por Maria é que a meta do milênio relacionada à redução de três quartos da mortalidade materna entre 1990 e 2015 não foi alcançada, além de apresentar uma tendência de elevação também a partir de 2016. Ao abordar sobre as causas externas e o impacto da violência, que representam a principal causa de morte de crianças a partir do segundo ano de vida, apontou como desafios as mortes por violência na adolescência, que se concentram em meninos negros ou pardos, e o aumento epidêmico de feminicídios . “É impossível não refletirmos sobre esse cenário, porque o vivenciamos todos os dias, sentimos e adoecemos, mas além de resolvermos o nosso adoecimento, temos responsabilidades com a saúde desses grupos”, analisou ela.
Ao tratar a qualidade da atenção clínica, Maria declarou que uma das grandes oportunidades de melhorar resultados provavelmente virá não das descobertas de novos tratamentos, mas da utilização mais efetiva das terapias já existentes. “Recursos e atividades de pesquisa têm sido priorizados para compreender mecanismos das doenças e na identificação de terapias efetivas, enquanto poucos pesquisadores têm se dedicado aos métodos de prover esses tratamentos de forma segura, efetiva e eficiente. Para melhorar, profissionais necessitam saber o que fazem, como estão fazendo e ter a capacidade de melhorar o processo de cuidado”, garantiu ela.
Antes de concluir sua palestra, Maria apresentou os diferenciais do IFF/Fiocruz aos novos residentes, como atuação pioneira e consolidada em iniciativas de interdisciplinaridade, única unidade de pesquisa clínica com recorte em saúde da mulher e da criança, pioneirismo e liderança na implantação de Bancos de Leite Humano, Centro de Referência para Doenças Raras, Rede Brasileira de Pesquisa Neonatal e capacidade de resposta para o sistema de saúde (Atenção, Ensino e Pesquisa), como na epidemia de Zika .
Ela explicou que, de acordo com a Portaria MS 4159 , de 2010, o Instituto recebeu a denominação de Instituto Nacional, apto para atuar como órgão auxiliar do Ministério da Saúde no planejamento, organização, coordenação e na avaliação das ações integradas para a saúde da mulher, da criança e do adolescente no Brasil. Sendo assim, cabe ao IFF/Fiocruz gerar e difundir conhecimento para a implantação de políticas e programas de saúde, planejar, coordenar e realizar pesquisa, coordenar redes colaborativas nacionais e internacionais e formar profissionais para o SUS. “Um país que tem os compromissos que vocês demonstram, que tem a geração como a de vocês pode tudo, bem-vindos e boa sorte!”, finalizou ela.
No evento também foram debatidos temas como Residências em Saúde no Brasil: conjuntura atual, Residências no IFF: formando profissionais para o cuidado e O papel político das Residências em Saúde no SUS, além de contar com palestras de acolhimento e as apresentações dos Programas de Residências em Saúde do IFF.



