Importância da Vitamina D para a saúde das mulheres

 

A vitamina D, frequentemente chamada de "a vitamina do sol", desempenha um papel fundamental na manutenção da saúde óssea, atuando no equilíbrio hormonal e com estudos no fortalecimento do sistema imunológico. É importante falarmos dela quando tratamos da saúde feminina.

A endocrinologista do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Lizanka Marinheiro, ressalta. "A vitamina D é uma aliada indispensável para a saúde das mulheres. Além de promover ossos mais fortes, ela atua no tratamento e prevenção de doenças crônicas, como osteoporose, tendo sido estudado sua ação na diabetes tipo 2 e doenças autoimunes. Portanto, manter níveis adequados dessa vitamina contribui  para o bem-estar feminino". 


Para garantir níveis adequados de vitamina D é recomendável tomar
sol 3 vezes por semana sem filtro solar por 15 minutos (com proteção do rosto)
 

 

Para saber mais sobre a importância da vitamina D na vida das mulheres, a especialista do Instituto, Lizanka Marinheiro, foi consultada:

Qual é a importância da vitamina D para a saúde geral das mulheres?

L.M.: Como qualquer vitamina, a maioria delas presentes em uma alimentação equilibrada, a vitamina D possui um papel essencial comprovado na saúde óssea das mulheres, em especial na pós-menopausa no tratamento da baixa de massa óssea e osteoporose. O seu papel é comprovado na promoção e manutenção da saúde esquelética, saúde muscular, podendo ajudar na prevenção de doenças autoimunes.

Quais são os principais benefícios da vitamina D para a saúde reprodutiva e ginecológica das mulheres?

L.M.: No que diz respeito à saúde reprodutiva, bem como tratamento de doenças como endometriose e síndrome dos ovários policísticos, os benefícios creditados à vitamina D levaram à hipótese de que sua reposição, em determinadas condições, poderia ser benéfica. No entanto, isso ainda não é totalmente aceito pela literatura médica baseada em evidências.

O que é a deficiência de vitamina D?

L.M.: A deficiência de vitamina D é a falta dela em níveis adequados no organismo. Para pessoas sem fatores de risco, o valor recomendado é acima de 20 ng/ml e para a população com fator de risco, acima de 30 ng/ml. Na gestação, se possível, recomenda- se manter a vitamina D ao redor de 40-60 ng/ml. Toda e qualquer reposição desta vitamina, (como de qualquer suplemento), deve ser individualizado.

Quais são os grupos de mulheres mais suscetíveis a deficiência de vitamina D?

L.M.: Mulheres na pós-menopausa, com idade acima de 60 anos. Os baixos índices de estrogênio nessa faixa etária, a disbiose intestinal (desequilíbrio na flora intestinal onde existe uma alteração na quantidade e na diversidade de bactérias no intestino), a falta de exposição ao sol, história de cirurgia bariátrica, sobrepeso e obesidade são alguns dos fatores que favorecem a deficiência de vitamina D.

A deficiência de vitamina D pode influenciar a fertilidade feminina?

L.M.: Em relação aos efeitos da vitamina D na fertilidade feminina, os estudos ainda são pouco conclusivos para confirmar os benefícios do tratamento da deficiência desta vitamina em mulheres inférteis, sejam elas submetidas à fertilização in vitro ou não. Em alguns casos, ela pode ser considerada durante o tratamento de infertilidade, de forma complementar.
 
Qual é a relação entre a vitamina D e a saúde da mulher gestante, incluindo os benefícios e riscos associados à suplementação?

L.M.: O acompanhamento pré-natal adequado permitirá identificar se há necessidade ou não de suplementação extra, não só de vitamina D como de outras substâncias. Os níveis adequados estão vinculados com a saúde do feto com relação ao parto prematuro e baixo peso.
      
Existem conexões entre a vitamina D e condições ginecológicas comuns, como endometriose e Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)?

L.M.: Pesquisas recentes mostram que a vitamina D desempenha um papel importante na regulação do sistema imunológico e na inflamação. A endometriose é uma doença inflamatória crônica e estudos apontam que a vitamina D pode ter um papel na redução de estados inflamatórios. Porém, mais pesquisas precisam ser feitas para entender completamente a relação entre a vitamina D e a endometriose.

Com relação à SOP, as pacientes devem ser avaliadas de forma individual. A SOP está associada a resistência à insulina, obesidade, infertilidade, irregularidade do ciclo menstrual e hirsutismo (aumento da quantidade de pelos no corpo da mulher em locais comuns ao homem). Embora pareça haver uma ligação entre vitamina D e a SOP, os resultados são inconclusivos na determinação de causa e efeito.

Como funciona a vitamina D na menopausa?

L.M.: Ela é essencial para a manutenção da massa óssea, prevenção e tratamento da baixa massa óssea, osteoporose e na prevenção de fraturas.

Quais os sinais de alerta de uma possível deficiência de vitamina D?

L.M.: Nenhum sintoma é específico para diagnóstico. Todos os sintomas que um paciente refere devem ser avaliados com uma boa história clínica e, quando necessários, com exames complementares.

Qual é a abordagem recomendada para garantir níveis adequados de vitamina D na dieta e na exposição solar, especialmente em regiões com pouca luz solar e em pessoas que não podem se expor muito ao sol?

L.M.: A recomendação é simples: tomar sol 3 vezes por semana sem filtro solar por 15 minutos (podendo proteger o rosto). Quanto a reposição de vitamina D, ela pode ser usada por via oral na forma de gotas ou cápsulas, com doses diárias ou semanais, com resultados satisfatórios na imensa maioria dos casos. A via endovenosa (na veia da paciente), na maioria das vezes, não é necessária.

A importância da vitamina D na saúde da mulher é inegável. Manter níveis adequados por meio da exposição ao sol, dieta equilibrada e, quando necessário, suplementação, é fundamental para garantir uma vida saudável e ativa. Portanto, é muito importante que as mulheres priorizem sua saúde e se consultem com um especialista.

Para finalizar, a endocrinologista do IFF/Fiocruz, Lizanka Marinheiro, reforça. "Investir na sua saúde começa com a prevenção (alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, higiene do sono, estratégias para lidar com o estresse da vida),  check-up e  tratamento de várias doenças. Avaliar o todo, o quadro clínico do paciente e resultados de exames complementares, quando necessários em cada caso, é um gesto de carinho consigo mesma que pode resultar em uma vida mais plena e saudável”.