IFF/Fiocruz celebra os 86 anos do Centro de Estudos Olinto de Oliveira com debate sobre inteligência artificial na saúde


O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) realizou, em 7/5, a celebração dos 86 anos do Centro de Estudos Olinto de Oliveira (CEOO). Com o tema “Inteligência Artificial a Serviço da Saúde”, o evento, organizado pela equipe do CEOO, reuniu ex-diretores, trabalhadores e profissionais da saúde.

Na abertura da cerimônia, o diretor do Centro de Estudos Olinto de Oliveira, José Augusto Alves de Britto, destacou a trajetória histórica do CEOO desde 1940 e seu papel na formação profissional e na preservação da memória institucional. Também ressaltou os desafios atuais enfrentados pelo Centro de Estudos e a importância das parcerias para a continuidade das atividades. Além disso, enfatizou a escolha do tema da inteligência artificial como uma pauta necessária e atual para a saúde.

Representante da área de Educação do IFF/Fiocruz, Antônio Eduardo frisou que a inteligência artificial já faz parte do cotidiano da educação e da pesquisa e salientou a necessidade de utilizar essas ferramentas de maneira ética e responsável. Ele lembrou que o Instituto vem promovendo o Curso de Introdução à Inteligência Artificial (IA) aplicada ao Ensino em Saúde voltado para Docentes da Saúde Pública, buscando preparar os profissionais para os desafios dessa nova realidade tecnológica.

A secretária-geral da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Maria Tereza Fonseca, destacou a relação histórica entre a entidade e o Instituto, reforçando a importância do CEOO para a formação profissional e para a pediatria brasileira. Ela parabenizou o Centro de Estudos pelos 86 anos e pela escolha de um tema relevante e contemporâneo para a área da saúde.

Representando a Direção do IFF/Fiocruz, a diretora substituta e chefe de gabinete, Mariana Setúbal, apontou o papel do Centro de Estudos como espaço estratégico de reflexão e produção de conhecimento dentro do Instituto. Para ela, a inteligência artificial é uma realidade no campo da saúde e deve ser utilizada de forma ética, responsável e sempre centrada no cuidado aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), contribuindo para qualificar o trabalho dos profissionais e fortalecer a assistência.

Mesa de abertura (Foto: Luiz Eduardo)

Seguindo a programação, foi realizado um gesto simbólico em comemoração aos 86 anos do CEOO. O diretor do Centro de Estudos, José Augusto, e o geneticista e coordenador do Centro de Genética Médica do IFF/Fiocruz, Juan Llerena, participaram da fixação do adesivo comemorativo dos 86 anos no púlpito do auditório. O ato representou a continuidade de uma trajetória construída coletivamente, marcada pelo compromisso com a ciência, a educação e a saúde pública.

José Augusto e Juan Llerena (Foto: Luiz Eduardo)

Na sequência, o evento seguiu com palestras voltadas ao tema da inteligência artificial aplicada à saúde. O professor doutor Maicon Herverton Lino, docente da Universidade de Pernambuco, apresentou a palestra “O Mundo Digital Está Transformando a Saúde – Onde estamos e para onde vamos”, um panorama da evolução tecnológica e dos impactos da inteligência artificial nos sistemas de saúde em todo o mundo. O palestrante enfatizou que ferramentas digitais, como prontuários eletrônicos, telemedicina, análise de dados em tempo real e agentes de IA, vêm transformando a assistência, a pesquisa e a gestão em saúde, tornando os sistemas mais eficientes. Durante a apresentação, Maicon contextualizou a rápida evolução tecnológica, desde os primeiros computadores até os atuais modelos de inteligência artificial e computação quântica.

Ele também salientou que a inteligência artificial deve atuar como ferramenta de apoio aos profissionais de saúde, sem substituir o julgamento humano, destacando o conceito de Human-in-the-Loop (HITL), no qual a supervisão humana permanece essencial em etapas críticas, como diagnósticos, prescrições e decisões clínicas. Além de apresentar experiências nacionais e internacionais de aplicação da IA na saúde pública, o palestrante alertou para a importância do uso ético e responsável dessas tecnologias.

Maicon Herverton Lino (Foto: Luiz Eduardo)

Após, o médico Thiago Constâncio, que atua na Assessoria Pedagógica do IFF/Fiocruz, palestrou sobre o “Uso ético de IA na Saúde”, abordando os desafios éticos, sociais e técnicos relacionados à implementação da inteligência artificial no campo da saúde. Thiago destacou que a IA é considerada uma tecnologia de propósito geral, com potencial de transformar profundamente a economia e a sociedade, assim como ocorreu com a energia elétrica e a computação. Durante a apresentação, ele discutiu temas como validação de ferramentas de IA médica, consentimento do paciente, humanização do cuidado, privacidade de dados e a necessidade de supervisão humana nos processos decisórios em saúde.

Thiago também apresentou exemplos de áreas já impactadas pela inteligência artificial, como radiologia, oncologia, cardiologia, saúde mental e atenção primária, ressaltando o potencial dessas ferramentas para ampliar a produtividade e otimizar processos assistenciais. Ao mesmo tempo, alertou para a necessidade de uma reflexão crítica sobre os limites da tecnologia e os riscos da supervalorização da IA, citando debates atuais sobre bolhas tecnológicas e dependência excessiva da tecnologia. Para ele, o uso ético da inteligência artificial deve estar fundamentado em princípios como responsabilidade, transparência, equidade, segurança e não-maleficência.

Thiago Constâncio (Foto: Juliana Brum)

 

Assista ao evento na íntegra.