IFF é destaque em prêmio organizado pela Abrasco

 

Juliana Xavier

O trabalho Condição Crônica Complexa (CCC) em Crianças e Adolescentes no Brasil: Magnitude das Internações, de Isadora Almeida Ferreira, Lívia Almeida Menezes, Martha Cristina Nunes Moreira e Erly Catarina de Moura, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), foi um dos quatros vencedores do Prêmio Eleutério Rodriguez Neto. A premiação aconteceu durante a 11ª edição do Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva (Abrascão), realizado de 27 de julho a 1º de agosto na cidade de Goiânia (GO). O trabalho teve contribuição de Romeu Gomes, Lidianne Albernaz, Miriam Calheiros Ribeiro de Sá, Roberta Fernandes Corrêa, Roberta Tanabe, Marcia Pinto, Adelino Furtado Madureira, Danielle de Carvalho Machado e Vanessa Miranda. No total, 6.263 resumos foram enviados.

O estudo partiu da constatação de que o número de crianças e adolescentes com Condições Crônicas Complexas de Saúde é crescente como demonstram estudos internacionais. No entanto, no Brasil não existem pesquisas que quantifiquem e qualifiquem esse crescimento. “No país, devido aos avanços tecnológicos, melhorias sociais e na saúde, como a redução de mortalidade perinatal, acredita-se que essa condição também seja crescente, gerando maiores custos sociais, necessidade de hospitalização multiprofissional e de alta complexidade, bem como adaptações no ambiente familiar, e transições para serviços de atenção domiciliar”, explicou Martha Moreira, uma das pesquisadoras e autoras do estudo.

Em função disso, o estudo teve como objetivo identificar a magnitude das internações por CCC nos leitos públicos do país, de modo a subsidiar o planejamento nesta área.  “O número de internações de menores de 18 anos de idade com diagnóstico principal de CCC, em 2013 no Brasil, foi resgatado diretamente do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIHSUS). Os dados foram tabulados conforme região, faixa etária e capítulo do CID-10. A taxa de internação foi calculada tendo como base a população residente em 2012. Adicionalmente foram detalhados os três grupos mais frequentes quanto à região, faixa etária e duração média da internação”, esclareceu a pesquisadora.

Após a análise dos dados os resultados apontaram que a taxa de internação por CCC foi de 331 para 100.000 mil habitantes, num total de 190 mil no país. A maior taxa ocorreu na região Sul e a menor na Norte. “Menores de um ano apresentam taxa acima de 1.000 por 100 mil. Os três grupos mais frequentes foram: doenças do aparelho respiratório, sendo a asma a de maior proporção (83% com internação média de quatro dias), neoplasias, com maiores taxas em todas as idades na região Sul, maiores ocorrências entre um e quatro anos de idade e duração média de cinco (Centro-Oeste) a dez dias (Norte) e doenças do sistema nervoso, com maior proporção de epilepsia (aproximadamente 79%), internações mais frequentes na adolescência e na região sudeste, com duração média de sete dias”, disse Martha Moreira. Estima-se em 240 mil o número de internações por CCC no país, incluindo os leitos privados, que representam 21% do total dos 56 mil leitos em pediatria, porém esse número pode ser maior devido a subnotificação. Quantificar esses pacientes significa torná-los visíveis para a sociedade visando subsidiar o planejamento e buscar melhor qualidade de vida para esta parcela da população.

O estudo, segundo Martha, visa reafirmar a importância de utilizar como fontes de dados os registros oficiais (SIH/SUS). “Isso porque acreditamos que quanto mais buscarmos esses dados como pesquisadores - tanto experientes, como estudantes em formação - mais esses dados serão aprimorados pelos técnicos responsáveis pelos registros. Outra importância diz respeito à possibilidade de reconhecer a existência dessas condições complexas de saúde no grupo de crianças e adolescentes. O estudo visa, também, à capacidade de sistematizar dados, conhecimento e reflexões para atenção e linhas de cuidado à saúde de crianças e adolescentes com condições crônicas complexas”, finalizou a pesquisadora.

Mais dois trabalhos da Fundação receberam Menção Honrosa: Saúde como dignidade: riscos, saúde e mobilizações por justiça ambiental, de Marcelo Firpo de Souza Porto, Renan Finamore e Diogo Ferreira da Rocha, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP). O segundo é Anemia em crianças indígenas xavantes (Mato Grosso): uma análise entre aldeias sócio-historicamente diferenciadas, de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Fiocruz: James Robert Welch e Carlos Everaldo Alvares Coimbra Junior, ambos da ENSP.