A Fundação Oswaldo Cruz concedeu, nesta quinta-feira (27/8), o título de Pesquisador Emérito ao professor e pesquisador Romeu Gomes, em cerimônia realizada no Centro de Estudos Olinto de Oliveira (CEOO), no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).
A homenagem reconheceu sua trajetória acadêmica, científica e institucional e sua contribuição para o fortalecimento da Saúde Coletiva para além da instituição. A data também faz referência à Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), instituída no Brasil em 27 de agosto de 2009, cuja construção contou com a participação do pesquisador.
A cerimônia reuniu trabalhadores, pesquisadores, estudantes, familiares e representantes da Fiocruz. Participaram da abertura o presidente da Fiocruz, Mario Moreira; o diretor do IFF/Fiocruz, Antônio Flávio Meirelles; a professora e pesquisadora do Instituto, Suely Deslandes; e o homenageado, Romeu Gomes. Na ocasião, Suely destacou que a homenagem representa também uma celebração da própria instituição. “É uma grande alegria, hoje é um motivo de festa”, afirmou, ressaltando que a trajetória de Romeu reúne “a excelência da pesquisa, do ensino e da assistência desse Instituto”.
Antônio Flávio Meirelles citou o caráter inédito da homenagem, já que Romeu é o primeiro pesquisador emérito do IFF/Fiocruz, e mencionou a aprovação unânime da indicação pelo Conselho Deliberativo da Fiocruz. O diretor fez referência à atuação do pesquisador na pós-graduação e ao papel desempenhado na formação de dezenas de pesquisadores, com mais de 70 orientandos. “É muito simbólico o professor Romeu, com todas as contribuições que ele deu para a nossa pós-graduação e para esse Instituto ser o que ele é, ser o primeiro pesquisador emérito”.
Mario Moreira afirmou que a homenagem a pesquisadores eméritos também representa uma celebração da própria Fiocruz e da ciência produzida pela instituição. Para o presidente, o reconhecimento está relacionado não apenas à produção acadêmica, mas ao compromisso com as políticas públicas e com o Sistema Único de Saúde. “Além da merecida e honrosa homenagem que o Romeu recebe aqui hoje, o senhor representa também a ciência, não só o Instituto Fernandes Figueira”.
Abertura da cerimônia (Foto: Bruno Guimarães)
A contribuição de Romeu para a formação de pesquisadores foi reforçada por seus orientandos. O coordenador da Rede de Bancos de Leite Humano da Fiocruz e autor da primeira tese de doutorado do Instituto orientada pelo pesquisador, João Aprígio, afirmou que sua relação com Romeu ultrapassou a orientação de uma pesquisa. “A maneira mais sincera é aproveitar esse espaço para dizer obrigado”, declarou. Para ele, o processo de orientação foi fundamental para aproximar diferentes áreas do conhecimento e contribuiu para a construção de políticas públicas na área do aleitamento humano.
João Aprígio (Foto: Bruno Guimarães)
Doutorando em Saúde Coletiva do IFF/Fiocruz, Gleydson Paiva também enfatizou a relação construída com o orientador. Segundo ele, além do conhecimento, a generosidade de Romeu no ensino foi um dos aspectos que mais marcam sua trajetória. “É muito fácil se encantar com o Romeu”, disse. Gleydson também ressaltou a disponibilidade do pesquisador e a sensibilidade para compreender a rotina de um doutorando trabalhador, destacando que é uma honra tê-lo como orientador.
Gleydson Paiva (Foto: Bruno Guimarães)
Na sequência, Suely Deslandes apresentou a trajetória profissional e acadêmica de Romeu Gomes. Ele foi um dos responsáveis pela criação do curso de Doutorado em Saúde da Criança e da Mulher do IFF/Fiocruz, coordenou o Programa de Pós-Graduação e teve papel fundamental na consolidação das Ciências Sociais e Humanas em Saúde na instituição. Ao longo de sua jornada, orientou mais de 70 pesquisadores no IFF/Fiocruz, entre estudantes de iniciação científica, mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos, além de participar e coordenar pesquisas de abrangência nacional.
A pesquisadora frisou sua ampla produção científica, composta por quase 200 artigos publicados, livros e capítulos, além de sua atuação contínua na pesquisa, no ensino e na formação de novos pesquisadores, mesmo após a aposentadoria. Na visão de Suely, a homenagem representa o reconhecimento dos valores que a instituição deseja preservar. “A ciência é feita de pessoas. E quando a gente atribui uma honraria, na verdade, todos esses símbolos de reconhecimento social, eles falam dos valores que aquela comunidade quer ver reforçada, quer ver reconhecida como valiosa”.
Suely Deslandes (Foto: Bruno Guimarães)
Após a leitura e a entrega oficial do diploma de Pesquisador Emérito, Romeu Gomes fez seu pronunciamento e relembrou momentos de sua trajetória acadêmica, desde a parceria com a também pesquisadora emérita Cecília Minayo, iniciada na década de 1980, até sua chegada à Fiocruz e ao IFF. O pesquisador destacou a importância das experiências vividas no Instituto para sua formação profissional e pessoal. “Consegui aprender muita coisa aqui”, afirmou Romeu, ao falar sobre o convívio com colegas e pesquisadores do IFF/Fiocruz. Ele também falou sobre o aprendizado proporcionado pela atuação em uma instituição hospitalar e pelo contato com profissionais de diferentes áreas. “O hospital é um lugar de cuidados, não só um lugar de prestar socorro”.
Mário Moreira e Antônio Flávio Meirelles posam com Romeu Gomes, junto de sua esposa Orsinda e sua filha Clarissa (Foto: Bruno Guimarães)
Ao encerrar seu discurso, Romeu agradeceu aos colegas, orientandos, familiares e às pessoas que fizeram parte de sua trajetória e deixou uma mensagem que sintetizou o espírito da homenagem: “Não pensem vocês que legado é alguma coisa que se deixa, não, porque eu vou continuar”, finalizou.
Cerimônia reuniu um público expressivo no Centro de Estudos Olinto de Oliveira (Foto: Bruno Guimarães)



