Fiocruz celebra o Dia Mundial da Segurança do Paciente

O Centro Colaborador para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Proqualis) celebrou, em 17/9, o Dia Mundial da Segurança do Paciente, que este ano tem como tema o “Cuidado Materno e Neonatal Seguro”, e como slogan da campanha "Aja agora em favor de um Parto Seguro e Respeitoso!". De forma remota, o evento contou com uma mesa-redonda sobre parto seguro e respeitoso e um webinar sobre os “Aspectos psicossociais do parto e nascimento e a segurança do paciente” (clique aqui e assista ao evento na íntegra).

O evento foi conduzido pela assessora da Presidência, Maria Inês Rodrigues Fernandes. “A Presidência, por intermédio da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz) e do Proqualis, tomou a iniciativa de reunir o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), através do Portal de Boas Práticas do IFF/Fiocruz, a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), através do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria, da pesquisa “Nascer no Brasil”, de pesquisadores responsáveis por iniciativas no campo da formação na segurança do paciente, e da Coordenação das Residências da Fiocruz, para juntos pensarem em iniciativas voltadas ao tema no âmbito da Fiocruz”.

A assessora também destacou os envolvidos. “Essa união de esforços para preparar o evento deste ano também contou com o apoio do Portal Fiocruz, da VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz, da Assessoria de Comunicação do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) e da Coordenação de Comunicação Social (CCS), vinculada à Presidência da Fiocruz, além do Departamento de Patrimônio Histórico da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz)”.

Mesa-redonda sobre parto seguro e respeitoso

Em seguida, o coordenador executivo do Proqualis, Victor Grabois, iniciou a mesa-redonda. “É um dia de comemoração, porque na Fiocruz temos ações durante muitas décadas em prol da redução da mortalidade materna e neonatal e da afirmação do direito das mulheres e recém-nascidos a um parto seguro e respeito, para que a experiencia do parto seja sempre uma lembrança muito positiva”. Victor aproveitou o momento para divulgar a página do Dia Mundial de Segurança do Paciente 2021 e ressaltou a iluminação do Castelo Fiocruz e do IFF/Fiocruz em prol da data. Victor concluiu sua fala com agradecimentos. “Não basta só onde a gente está chegando, mas também o caminho que estamos percorrendo, e eu só tenho a agradecer aos colegas que contribuíram para que a gente chegasse aqui hoje”.

A seguir, a coordenadora da pesquisa “Nascer no Brasil”, a pesquisadora da Fiocruz Maria do Carmo Leal, informou o que é um parto seguro e respeitoso. “É um parto que deve ser focado na melhoria da qualidade da atenção e na redução de danos, suprimindo intervenções desnecessárias. Neste sentido, o parto respeitoso tem propósitos muito semelhantes aos da segurança do paciente. É um parto em que a gestante deve se vincular à maternidade onde vai ocorrer o seu parto, isso deve acontecer durante o pré-natal. Essa visita tem um efeito que já está muito bem documentado na literatura, que é de desmistificar a maternidade; reduzir a sensação do desconhecido ao chegar; reduzir o medo da instituição; diminuir o estresse; acalma a gestante; e favorece o bom andamento do trabalho de parto”.

Maria do Carmo esclareceu que para um parto seguro e respeitoso, a gestante deve ser acolhida ao chegar na maternidade e fazer a sua classificação de risco na entrada, questões que foram muito bem trabalhadas na Rede Cegonha e com muito sucesso. “As maternidades públicas começaram a fazer isso com o objetivo de além da mulher ser bem recebida, também ajudar a identificar eventos graves e que precisam de atendimento imediato, sem espera. Professores de universidades francesas ficaram verdadeiramente encantados com essa ação e disseram que iam levar como uma experiência para a França, pois a nossa classificação de risco é muito bem feita, é algo que se instituiu na obstetrícia”.

A pesquisadora afirmou que a gestante deve ser tratada sem descaso. “A mulher precisa ser tratada com privacidade; sem maus tratos; e nem intervenções desnecessárias, incluindo cesariana sem indicação clínica; a gestante deve ser chamada pelo seu nome, o que a dignifica e reforça o respeito à singularidade daquela mulher. O plano de parto da mulher deve ser respeitado, se não houver complicação, tem que respeitar, isso ajuda a gestante a conduzir o seu trabalho de parto e o parto”.

Maria do Carmo alegou que do ponto de vista das instituições, um parto seguro e respeitoso deve acontecer em instituições que tenham atendimento baseado em protocolos científicos e clínicos bem constituídos. “As instituições precisam investir em mecanismos para evitar ao máximo que um evento adverso no parto evolua para uma complicação maior. Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem sugerindo a vigilância da morbidade materna grave nas maternidades e nas Secretarias de Saúde. Essa ideia de criar a vigilância também tem a ver com a análise sistemática de casos e o aprendizado contínuo da equipe, porque é assim que a gente avança e faz um parto seguro”.

A pesquisadora declarou que o recém-nascido tem que ser respeitado exatamente como a mulher. “O principal item eu colocaria que é deixar o bebê ter o seu tempo intraútero completo, se ele não tiver indicação clínica para ser retirado, o bebê deve completar o tempo dentro da barriga da mãe que ele precisa para ter a habilidade de conviver com a vida extrauterina”. A chamada “hora de ouro” é o momento do bebê e da mãe que as maternidades devem respeitar. “É a primeira hora após o nascimento, em contato e reconhecimento mútuo mãe e filho, com silêncio e pouca luz”, disse Maria do Carmo, que completou. “Também é respeitoso que a maternidade faça a contrarreferência dessa mulher e seu bebê para a Atenção Básica no posto de saúde perto de sua casa para a continuidade desse cuidado”.

O diretor do IFF/Fiocruz, Tom Meirelles, comentou que o Instituto é a unidade da Fiocruz que responde por fazer esse parto seguro e respeitoso, dando todas essas condições citadas para que as gestantes e recém-nascidos tenham o melhor atendimento. “Temos uma equipe multiprofissional que realmente cuida dessas questões com muito esmero. Nós somos responsabilizados pelo Ministério da Saúde por dar essa resposta para a nossa sociedade brasileira, propondo políticas que melhorem o cuidado que é feito”.

Sobre as cesárias, Tom alertou. “Ainda estamos longe de atingir o número ideal de cesárias, nós temos mais de 40% de partos cesáreos no país, quando o indicado é ter uma média entre 10 e 15%. Nós ainda temos 1 a cada 7 bebês que nascem com menos de 37 semanas. Precisamos ter um olhar especial com as populações vulneráveis, pois sabemos que as mulheres que mais morrem no Brasil são as mulheres negras, mais pobres, pois elas têm um cuidado neonatal que está longe de ser o ideal e que o Brasil pode proporcionar”.

Tom também frisou o direito ao acompanhante. “O direito ao acompanhante faz com que esse momento do parto respeitoso seja para a mulher, com a presença do seu familiar, um momento de mais segurança, mais confiança e conforto de que tudo vai dar certo, de que seu bebê vai vir ao mundo em um ambiente cheio de amor, que é o que queremos para todas as crianças”. Para encerrar, Tom falou da emoção em iluminar o IFF/Fiocruz na cor laranja. “Nosso papel é esse e precisamos garantir a segurança de um parto seguro e respeitoso para as mulheres e recém-nascidos. O Instituto é um Hospital Amigo da Criança (IHAC), tem toda a responsabilidade com esse contato pele a pele e em seguir os 10 passos para o aleitamento materno, que também é uma garantia de segurança e respeito com o paciente”.

Representando a presidente da Fundação, Nísia Trindade Lima, a vice-presidente interina da VPAAPS/Fiocruz, Patrícia Canto, contou que desde 2019 a Fiocruz, junto com a VPAAPS e o Proqualis, vem apoiando iniciativas para lembrar e reafirmar a importância do tema. “A Fiocruz, ao longo de todo o processo de construção do Sistema Único de Saúde (SUS), sempre atuou em prol de políticas públicas para garantia da qualidade dos serviços e a segurança do paciente”.

Em meio à pandemia de Covid-19, Patrícia lamentou as mortes das gestantes brasileiras em decorrência da doença. “De acordo como Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19 (OOBr Covid-19), os óbitos maternos em 2021 já superaram o número notificado em 2020. No ano de 2020, foram 544 óbitos em gestantes e puérperas por Covid-19 no país, com média semanal de 12,1 óbitos, considerando que a pandemia se estendeu por 45 semanas epidemiológicas nesse ano. Até 26 de maio de 2021, transcorridas 20 semanas epidemiológicas, foram registrados 911 óbitos, com média semanal de 47,9 óbitos, denotando um aumento preocupante”. Patrícia também destacou a importância da vacinação como garantia do direito à vida, em especial para gestantes e puérperas. “A vacinação será a garantia de que reduziremos esses números tristes e alarmantes”.


Membros da mesa-redonda


Homenagem à pesquisadora Maria do Carmo Leal

Na sequência, a pesquisadora da Ensp/Fiocruz, Silvana Granado, foi convidada para homenagear a professora Maria do Carmo Leal por toda sua trajetória como pesquisadora e militante em defesa da saúde das mulheres e crianças no Brasil. “Duca, como é carinhosamente chamada, é uma pessoa iluminada, generosa, vibrante, é uma pesquisadora prodígio”.

Silvana mencionou como os temas “gestação, parto e nascimento” se tornaram a bandeira de trabalho e luta de Maria do Carmo. “Em 1999, Duca conduziu pela primeira vez uma investigação sobre parto e nascimento em maternidades públicas e privadas no Rio de Janeiro, tendo entrevistado mais de 10 mil puérperas, projeto que nos encantou, mas nos aterrorizou pelo tamanho do descaso com as mulheres em um momento tão especial de suas vidas. Então, ela se desafiou a coordenar o maior inquérito sobre parto e nascimento no país, o “Nascer no Brasil”, conduzido em 2011 e 2012, pesquisa que se tornou um divisor de águas sobre o tema, inspirando políticas públicas e muitos desdobramentos”.

Para concluir sua fala, Silvana agradeceu pelo aprendizado e pelo que compartilhou com Duca nesses 38 anos de parceria. “Querida amiga e companheira de tantas jornadas, em nome de todos que foram orientados ou que já trabalharam com você, nosso muito obrigado por tudo, você é uma inspiração para nós. Vida longa e saudável!”. Outros amigos, importantes cientistas, como Paulo Buss, Maria Esther de Albuquerque Vilela, Cesar Gomes Victora, Estela Mª Motta Lima Leão de Aquino e Celia Landmann, também deixaram mensagens em vídeo para a homenageada, que recebeu aplausos, flores e uma placa de homenagem.

Com a palavra, Duca agradeceu. “O nascimento é a chegada de um novo cidadão brasileiro aqui ao planeta e a gente precisa fazer a melhor recepção possível. Eu sou muito orgulhosa da Fiocruz e das pessoas que trabalham pela melhoria da saúde das mulheres”, disse emocionada. Para encerrar a mesa-redonda, Victor Grabois parabenizou os envolvidos e falou dos próximos passos sobre a temática. “A expectativa é que essa unidade que a gente conseguiu entre as iniciativas, as pesquisas e grupos, permaneça para o enfrentamento da mortalidade materna e neonatal. A nossa perspectiva é continuar e dar organicidade a esse trabalho”.


Silvana Granado homenageia Maria do Carmo Leal


Webinar Proqualis

“Aspectos psicossociais do parto e nascimento e a segurança do paciente” foi o tema do webinar promovido pelo Centro Colaborador para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Proqualis) da Fiocruz, na sexta-feira (17/9), em referência ao Dia Mundial da Segurança do Paciente. Em 2021, a data é dedicada aos “Cuidados maternos e neonatais seguros” e propõe o aprimoramento da segurança materna e neonatal nos pontos de atendimento, especialmente em torno do parto e nascimento. O evento abordou a ausência de protocolos de prevenção do dano psíquico na assistência obstétrica, os aspectos fisiológicos relacionados ao nascimento e a depressão pós-parto.

Segundo a OMS, todos os dias, cerca de 800 mulheres e 6,7 mil bebês perdem a vida na hora do parto e nascimento. Além disso, quase 5,4 mil bebês nascem mortos diariamente, com 40% dessas mortes ocorrendo em relação ao trabalho de parto. A maioria dos natimortos, mortes maternas e neonatais e danos são evitáveis por meio da prestação de cuidados seguros, respeitosos e de qualidade durante a gravidez, o parto e nos primeiros dias de vida. “Garantir a segurança do paciente é fundamental para fortalecer os sistemas de saúde de qualidade e alcançar a cobertura universal de saúde. Ao mesmo tempo, é crucial envolver mulheres grávidas, parceiros e famílias e construir uma força de trabalho em saúde competente e suficiente que seja apoiada por recursos adequados, cultura de segurança e ambientes de trabalho seguros”, diz a entidade no comunicado sobre o dia 17/9.

Na abertura do Webinar, Victor Grabois, coordenador executivo do Proqualis, destacou que a segurança do paciente está cada vez mais articulada com outras dimensões da qualidade, como a equidade, o cuidado centrado e a prontidão. Segundo ele, a escolha do tema busca aprimorar o diálogo entre a segurança do paciente e os aspectos psicológicos e sociais em relação ao parto.

A relevância desse tipo de discussão foi reforçada pelo diretor clínico do Hospital Sofia Feldman, João Batista Marinho de Castro Lima. “Esse tema é de substancial importância, considerando que temos no Brasil mais de 3 milhões de nascimentos por ano, e que 98% deles ocorrem em estabelecimentos hospitalares, ou seja, assistidos por profissionais de saúde teoricamente qualificados. A importância disso em termos de segurança é fundamental”.

O médico obstetra citou a pesquisa “Nascer no Brasil”, realizada pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, para reforçar a crítica ao modelo assistencial intervencionista que ocorre no país. “A qualidade do cuidado, principalmente no Brasil, ainda está abaixo do padrão. As práticas são destoadas das evidências; as intervenções são desnecessárias; as intervenções benéficas ainda não estão incorporadas às práticas diárias; e a assistência é ineficaz na resolução dos problemas que ela própria gera”, admitiu.

No que concerne à segurança do paciente, o palestrante alertou que devem ser levados em consideração os aspectos emocionais, humanos, culturais e sociais da parturiente. Ainfs segundo ele, é fundamental que a assistência obstétrica adquira uma visão multidimensional, pois, além dos elementos que comprometem a estrutura ou função do corpo, o sofrimento social, psicológico, moral e cultural deve ser enquadrado na categoria de danos ao paciente. “E nós não estamos computando isso nos nossos serviços. Temos protocolos de prevenção de queda, de cirurgia segura e muitos outros, mas não temos protocolos de prevenção do dano psíquico”.

João Batista finalizou a apresentação destacando as boas práticas de assistência ao parto, cujas bases devem estar centradas na mulher através de uma abordagem holística e baseadas em direitos humanos “Todas as práticas e protocolos em qualquer serviço de assistência ao parto no mundo devem levar isso em consideração”.

Os estímulos cerebrais durante o parto

“Diferente do que muitas pessoas pensam, a parte mais ativa do corpo feminino durante o trabalho de parto é o cérebro; e não o útero”. A afirmativa da enfermeira obstétrica do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), Camila Borba da Luz, dimensionou a importância da fisiologia no momento de dar à luz. De acordo com ela, as mulheres liberam um coquetel de hormônios, que incluem a ocitocina, endorfina, prolactina, catecolaminas, dentre outros, e a parte mais ativa do seu corpo é o cérebro primitivo, o sistema límbico o hipotálamo e a hipófise.

A palestrante revelou que quando há inibições durante o processo de parto, elas se originam em outra parte do cérebro, o neocórtex, região que concentra a parte mais racional e moderna. Quando entra em ação, essa área impede o perfeito funcionamento do sistema límbico (hipotálamo e hipófise - comanda as funções fisiológicas e emocionais; necessária para o trabalho de parto). “No momento do parto, não necessitamos de um comando racional para acionar o mecanismo do parto e nascimento. Se a mulher estiver sozinha, o corpo dela terá o instinto de parir sem precisar de qualquer informação. Para o trabalho de parto ocorrer naturalmente, temos que favorecer a atuação do sistema límbico para que a mulher possa produzir os hormônios necessários para dar à luz. O neocórtex impede o perfeito funcionamento do límbico, logo, os profissionais da assistência ao parto devem atuar na promoção da desativação dessa região”, alertou.

Os recursos citados por ela para inibir a ativação dessa região no momento do parto consistem na redução do frio, do medo, da insegurança, do barulho, das distrações e da claridade excessiva. E completou. “Não devemos esquecer do antagonismo entre adrenalina e ocitocina. Se quisermos que a mulher libere ocitocina para aumentar sua dilatação, precisamos evitar que ela libere adrenalina. Por isso, a importância da presença do acompanhante, de evitar barulho e de trazer a mulher pra sua realidade”.

No quesito segurança do paciente, Camila apresentou estudos científicos que revelam que o acompanhamento das enfermeiras obstétricas na assistência direta ao parto reduz intervenções, aumentam a satisfação das mulheres e obtém melhores desfechos obstétricos e neonatais. Além disso, apresentou dados sobre o aumento dos partos assistidos por essas profissionais no HNSC. “Em 2013, 5% dos partos eram acompanhados por enfermeiras obstétricas. Já em 2019, essa porcentagem aumentou para 35%. Para o nosso estado do RS, consideramos uma conquista bem importante”.

A depressão pós-parto

“Jamais alguém estará totalmente preparado para ser pai e mãe. É um exercício constituído na prática e com base nas experiências de cuidado de cada indivíduo”. Foi assim que a professora Giana Frizzo, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, iniciou sua palestra sobre depressão pós-parto. Ela também lembrou que atenção à saúde materno infantil está relacionada à gestação, ao parto, ao pós-parto, mas também à perda fetal, ao luto parental e à adoção.

Segundo o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM 5), a depressão pós-parto enquadra-se como um especificador do transtorno depressivo maior, compreendendo o período gestacional e as quatro semanas iniciais após o parto. A prevalência varia entre 10% e 20%, de acordo com a maioria dos estudos. Apesar da subnotificação e do diagnóstico tardio, os sintomas revelam-se no humor deprimido, na perda de interesse ou prazer, em sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva. “Na depressão pós-parto, é difícil que a mãe consiga se recolher, justamente porque ela tem um bebê clamando por cuidados. Há um sofrimento duplo, pois a mãe sofre por não estar bem e pelo bebê – que não está tendo a mãe que ela gostaria de ser. A depressão, em boa parte dos casos, vai afetar a disponibilidade cognitiva e emocional dessa mãe”.

Os fatores de risco estão relacionados a situações de estresse e depressão na gestação, histórico pessoal e familiar de transtornos de humor, ao não planejamento e não aceitação da gravidez, violência obstétrica, ao desemprego materno e paterno, ao abandono do pai, dentre outros. A mãe potencialmente deprimida apresenta impressões e sentimentos negativos em relações aos bebês, menor satisfação quanto ao desempenho do seu papel, dificuldade na vinculação e sintomas obsessivos, como pensamentos agressivos com o bebê, por exemplo.

“Os profissionais devem estar atentos à saúde mental na gestão e nos pós-parto. Isso não deve ser confundido com desgaste do puerpério ou o cansaço que é gestar o bebê. A mulher deve ter uma possibilidade de tratamento multidisciplinar, com visitas domiciliares e várias intervenções psicossociais e psicológicas podem auxiliar a prevenção e tratamento de forma eficaz. Precisamos sensibilizar os profissionais da saúde para uma assistência segura às famílias nesse contexto”.

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